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Tartaruga sofre eutanásia e biólogos tiram até bexigas de animais

Animais resgatados após ingerirem diferentes objetos estão passando por tratamento intensivo em Guarujá (SP).


terça-feira, 06/fevereiro/2018
Tartaruga sofre eutanásia e biólogos tiram até bexigas de animais

Um exame realizado por pesquisadores da Baixada Santista, no litoral de São Paulo, revelou a presença de bexigas utilizadas em festas de aniversário dentro do organismo de tartarugas que estão em reabilitação em Guarujá. Os trabalho foram realizados pelo Instituto Gremar e permitem que o tratamento dos animais seja mais eficaz. Uma das tartarugas passou por eutanásia.

Os pesquisadores realizaram uma série de avaliações ultrassonográficas por meio do plastrão (parte de baixo do casco, que se une à carapaça por uma ponte óssea) em tartarugas marinhas em reabilitação, que ficam cerca de três a seis meses no local. O exame permite visualizar as estruturas internas do corpo de animais a partir do eco gerado por ondas ultrassônicas de alta frequência.

Seis tartarugas da espécie Chelonia mydas, mais conhecida como tartarugas-verde, foram submetidas ao exame. “Todas encalharam aqui na Baixada Santista e são animais juvenis. Mesmo quando um animal vem a óbito, lavamos o conteúdo retirado na necropsia e conseguimos triar o lixo encontrado dentro delas. Nos exames com os animais vivos, conseguimos ver se tem a presença de residuos pontiagudos e, pelo formato, sabemos o que é”, explica a bióloga Rosane Farah, do Insituto Gremar.

Segundo ela, esse exame, aliado a outros de rotina, são de extrema importância para definir ou melhorar o tratamento em casos mais delicados. “Nos animais vivos, conseguimos estimular que o animal defeque o lixo por meio de uma alimentação diferenciada, com fibras e com medicações”, explica.

Após realizarem o exame, os biólogos identificaram muitos pedaços de plástico e de fios de nylon no organismo de um dos animais. Por conta da grande quantidade de lixo, a tartaruga precisou ser submetida a eutanásia, já que nenhum tratamento seria o bastante para mantê-la viva por muito tempo. “Sem o exame não conseguiríamos ver a gravidade ou estimar a quantidade de lixo e, assim, tomar uma decisão”, diz.

Rosane explica que alguns animais conseguem viver com pouca quantidade de lixo no organismo, já outros não se alimentam direito, perdem peso e acabam morrendo. “A tartaruga confunde o plástico com o alimento dela e o come. O plástico também pode estar aderido à alga e ela ingere junto”, diz a bióloga.

Ainda segundo pesquisas do Gremar, a maioria dos materiais encontrados dentro das tartarugas são os mesmos que aparecem nas areias das praias. “Coletamos as mesmas coisas que a gente encontra dentro dos animais. Sacolas plásticas, canudinho, fio de nylon e até bexigas. Todo o lixo que as pessoas deixam nas praias ou na rua acaba indo para o mar e os animais se alimentam. As pessoas ainda não tem essa percepção”, explica.

O Gremar atua 24 horas por dia na Baixada Santista. Em caso de avistamento de animal marinho encalhado, ferido ou morto, o acionamento pode ser feito pelo telefone 0800-642-3341. A ação é parte do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS).

g1


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