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Cadeirante cria app colaborativo para avaliar e mapear locais acessíveis

Em junho, 5 mil estabelecimentos foram avaliados no Guia de Rodas.


domingo, 10/julho/2016
Cadeirante cria app colaborativo para avaliar e mapear locais acessíveis

O direito de ir e vir é garantido pela Constituição, mas quem é cadeirante ou possui alguma outra dificuldade de locomoção sabe que essa liberdade esbarra em alguns degraus e buracos pelas cidades. Esbarra ainda em locais sem qualquer preparo, rampas de acesso ou preocupação em bem servir. Para driblar este problema, um cadeirante desenvolveu um aplicativo colaborativo para consulta e avaliação da acessibilidade de estabelecimentos para pessoas com dificuldade de locomoção.

O Guia de Rodas, como foi chamado, está disponível para Android e IOS e permite que qualquer pessoa, inclusive as que não possuem qualquer dificuldade, a avaliar restaurantes, supermercados, lojas, cinemas, farmácias, consultórios, teatros, baladas, entre outros.

A proposta do app é facilitar a vida de todas as pessoas com algum tipo de dificuldade de locomoção, sejam cadeirantes, idosos, gestantes, mães com filhos pequenos e tantas outras limitações físicas e funcionais.

Portador de hipomielinização, uma rara doença neurológica que causa fraqueza muscular progressiva dos membros inferiores, o designer Leandro Menna é cadeirante e um dos usuários mais ativos do aplicativo. No último fim de semana, foi com o irmão e alguns amigos a uma badalada boate em Campinas (SP)  para se divertir, mas, logo na entrada, ele se deparou com uma escada.

“Tem uma escadaria na frente, uns 10 degraus, e meus amigos me ajudaram a entrar. E isso porque a boate acabou de ser reinaugurada. Eles até têm banheiro adaptado, mas é utilizado como depósito. Diversos estabelecimentos fazem do banheiro para deficientes seus depósitos para produtos de limpeza”, reclama Leandro.

Foi para ajudar pessoas que passam pelas mesmas dificuldades que o designer passou a usar o app. “Faço uso constante do aplicativo. Sempre que vou a algum lugar, dou a minha avaliação. Assim como eu, outras pessoas com limitação física também precisam dessas informações. É importante o próprio usuário avaliar o local e descrever as dificuldades que teve”, pontua.

Intuitivo
Com manuseio fácil e intuitivo, o aplicativo permite que os usuários façam uma rápida avaliação do estabelecimento, levando em conta informações do local como se há vagas especiais para estacionamento ou manobrista, se a entrada é facilitada, se há boas condições de circulação interna e se há banheiro para pessoas com deficiência.

Depois de avaliados, os estabelecimentos aparecem com uma classificação dividida em cores: verde para os acessíveis, amarelo para os que são parcialmente acessíveis e vermelho para aqueles que não se preocupam com a questão.

Por meio de GPS, o app favorece a avaliação no próprio local e também a busca por filtros específicos  para quem pretende saber quais são os estabelecimentos mais acessíveis em determinado bairro, cidade ou país.

Crescimento
Lançado em 15 de fevereiro, o app vem conquistando um  número crescente de usuários. Em junho, 5 mil lugares foram avaliados, conta Bruno Mahfuz, desenvolvedor do app. Cadeirante há 15 anos, quando sofreu um acidente de carro, ele conta ter se inspirado em sua própria dificuldade para idealizar o guia.

“Eu tinha 17 anos quando sofri um acidente e sempre tive muita dificuldade para sair de casa. Na época eu tinha o terceiro colegial incompleto, passei na escola depois de fazer uma pesada reabilitação, e decidi retomar a vida. Quando fui fazer vestibular, eu não conseguia entrar nas faculdades para fazer as provas. Isso foi em 2002 e, de lá para cá, muitas coisas já melhoraram, mas é sempre uma surpresa na hora de sair de casa. A gente nunca sabe o que vai encontrar”, lamenta Bruno.

Satisfeito com o desempenho do aplicativo, ele conta que qualquer pessoa que possua olhos para acessibilidade pode ser fonte para o guia e que a ferramenta tem como objetivo enaltecer os locais que se preocupam com este público.

“Hoje 70% dos nossos avaliadores não possuem deficiência, e isso me deixa bem satisfeito. Estamos cumprindo um papel de agente conscientizador. Para a inclusão acontecer de uma forma tranquila e prazerosa, a gente precisa mostrar que ser acessível também é lucrativo. Os proprietários de locais que não se preocupam com acessibilidade esquecem que estas pessoas também são consumidoras e que vão preferir gastar seus dinheiros em locais que as receba bem”, ressalta.

Terapeuta ocupacional, Janete Mobley é uma entusiasta do projeto e recomenda o app para seus pacientes e familiares por acreditar ser preciso irradiar a ideia da inclusão.

“Vejo o aplicativo de forma abrangente, não serve só para cadeirante, serve para idoso, para mãe com bebe. Nós, como andantes, temos dificuldades em algumas calçadas, é uma verdadeira loucura, imagina para quem tem qualquer dificuldade. Eles enfrentam dez mil obstáculos todos os dias. Esse é um trabalho de formiguinha, mas pode causar uma grande mudança de consciência”, acredita a terapeuta.

g1

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