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Carros de luxo não devem ficar mais baratos ao serem feitos no Brasil


sábado, 04/janeiro/2014
Carros de luxo não devem ficar mais baratos ao serem feitos no Brasil

Com o início da construção da fábrica da BMW, que deve ser inaugurada no ano que vem, em Araquari (SC), 2013 fica marcado como o da instalação das marcas de luxo no Brasil. Mas, para especialistas, o fato de alguns modelos passarem a ser feitos no Brasil não significa que eles terão preços menores que os atuais.

No último dia 5, a Jaguar Land Rover confirmou a fábrica em Itatiaia (RJ), a ser aberta em 2016. Meses antes, a Mercedes-Benz anunciou que produzirá carros em Iracemápolis (SP), também daqui a 3 anos. E, em setembro passado, a Audi declarou que o A3 sedã e o SUV Q3 serão feitos em São José dos Pinhais (PR), a partir de 2015.

As quatro marcas são as de maior volume no segmento de luxo no mundo. A BMW lidera neste ano, seguida por Audi e Mercedes. Atualmente, os carros dessas montadoras são trazidos da Europa para o Brasil, o que significa que pagam o imposto de importação de 35% sobre o preço original, que só não é cobrado de veículos vindos do Mercosul e do México.

Eles pagam ainda frete e seguro para o transporte até os portos e, posteriormente, tributos locais, como PIS/Cofins, Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

No caso do IPI, carros que vêm de fora do Mercosul e do México pagam 30 pontos percentuais a mais. Esse aumento foi uma medida tomada pelo governo em 2011 para desestimular a importação de carros, que chegou a bater recordes no inicio da década, puxada por marcas asiáticas.

Em outra ponta, no ano passado, foi lançado o Inovar Auto, conjunto de regras do governo que incentiva, sobretudo, a instalação de montadoras no país. BMW, Audi e Mercedes já aderiram e poderão receber desconto no IPI.

A diferença de tratamento do governo para carros importados e nacionais levou inclusive a um questionamento da União Europeia junto à Organização Mundial do Comércio (OMC) no último dia 19. O governo respondeu que impostos brasileiros respeitam “regras internacionais”.

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Marco de R$ 600 bilhões foi atingido às 11h56 desta quinta, diz associação (Foto: Luis Cleber/AE)

Alta carga de impostos para produção nacional

não alivia o fim da importação de um carro,

dizem analistas (Foto: Luis Cleber/AE)

‘Custo Brasil’

Para analistas, porém, o custo da nacionalização dos carros de luxo será alto e inviabilizará a queda nos preços desses modelos que deixarão de ser importados.

“Não tem o imposto de importação, mas tem o famoso ‘custo brasil'”, lembra Marcelo Pontes, de economia e marketing da ESPM.

“Basicamente, as montadoras trocarão (os custos de importação) pela alta carga de tributos locais”, diz Milad Kalume Neto, da Jato Dynamics Brasil, consultoria especializada no setor automobilístico.

O que se chama de “custo Brasil” são os gastos com a produção nacional. Ele inclui custos de matéria-prima, componentes, mão de obra, energia, água, logística, além de impostos sobre equipamentos e maquinários necessários para a instalação das fábricas.

Uma pesquisa da PricewaterhouseCoopers (PwC) divulgada em 2012 diz que o custo de manufatura de um modelo compacto no Brasil girava em torno de US$ 1,4 mil, valor equivalente ao dos Estados Unidos e Japão, inferior ao de Alemanha e Reino Unido, e superior ao do México, que atraiu fábricas das principais marcas do mundo.

A associação de montadoras (Anfavea) aponta o custo com mão de obra como um dos que mais encarecem a produção nacional.

No preço final dos carros, nacionais ou importados, são embutidos ainda o custo com distribuição, a margem dos revendedores e o lucro da fabricante, que é mantido em segredo pelas montadoras e apontado como responsável pelo fato de um mesmo carro custar muito mais no Brasil do que em outros países da América Latina, por exemplo.

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Mercedes Classe C novo (Foto: Divulgação)

Novo Mercedes Classe C será feito no Brasil

a partir de 2016 (Foto: Divulgação)

O que dizem as montadoras

No início do ano, BMW e Mercedes anunciaram redução nos preços de alguns modelos, atribuindo a medida à entrada no Inovar Auto.

Na cerimônia de apresentação da fábrica, no último dia 16, a BMW divulgou que fará no Brasil os modelos Série 1, Série 3, X1, X3 e o Mini Countryman, mas não deverá mexer nos preços atuais.

O Série 1 é o mais “barato” da marca e o Série 3 é o mais vendido pela BMW no Brasil e no mundo. O primeiro parte de R$ 99.950, segundo tabela de novembro. O segundo, de R$ 129.950, o primeiro com motor flex.

A Mercedes afirmou ao G1 que também não fará grandes mudanças nos preços quando a fábrica em SP começar a funcionar. A montadora lembra que ainda dependerá de componentes importados para produzir os carros no Brasil. E que os custos do investimento na implantação da fábrica levarão um tempo para serem cobertos.

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Audi A3 Sedan é fabricado na Hungria (Foto: Divulgação)

Audi A3 Sedan (Foto: Divulgação)

O primeiro modelo a ser feito no país será o Classe C, cuja nova geração será apresentada oficialmente em janeiro do ano que vem, ainda sem preço divulgado.

O modelo é o mais vendido da Mercedes no mundo e um intermediário no portfólio da marca (os carros de “entrada” são o Classe A e o Classe B).

A montadora diz que o Classe C subiu de nível na nova geração e seu preço não será comparável ao atual, que custa a partir de R$ 122 mil. Além dele, será fabricado o crossover GLA, recém-lançado no exterior.

A Jaguar Land Rover respondeu que ainda não definiu o produto que será produzidos no país, e por isso não pode falar sobre preços. Espera-se que seja fabricado o Evoque, modelo mais vendido da Land Rover no Brasil, atualmente partindo de R$ 180 mil. A Audi, que fará o intermediário A3 Sedan, ainda não lançado no país, e o utilitário Q3, de R$ 150 mil, não se pronunciou até a publicação da reportagem.

Aposta em novos públicos

O presidente da Jato Dynamics, Gerardo San Román, acredita que, em vez de reduzir preços, as empresas poderão investir em combinações atrativas e acessíveis para outros públicos, como os consumidores mais jovens, sem perder em qualidade. “Se não tem couro, compensa com forte carga tecnológica, com gadgets”, exemplifica.

Se não há expectativa de preços mais baixos, a vinda das montadoras resultará em melhor distribuição e acesso mais rápido a peças de reposição, lembra Pontes, da ESPM.

As marcas de luxo deverão ampliar o leque de consumidores fora da Região Sudeste, diz Carlos Ferreirinha, da consultoria MCF, especialista no mercado premium. “As marcas de luxo precisam entender que o Brasil não é só São Paulo”, afirma. “Quem está no Nordeste, por exemplo, não vai querer viajar, vai comprar o que está disponível do lado dele.”

 

Ferreirinha lembra que foram as motocicletas que iniciaram a “invasão” das marcas de luxo no Brasil, montando veículos por conta própria ou em parceria com empresas locais.

“A Ducati, a Harley-Davidson, a BMW motos, todas produzem aqui”, enumera. Essas marcas inclusive têm passado ao largo da crise que afeta o mercado de duas rodas no país: elas crescem em vendas enquanto o total, formado por uma base de motos de baixa cilindrada, tem caído nos últimos anos.

E há muito potencial a explorar: a Audi, por exemplo, declarou, ao anunciar a produção brasileira, que espera um crescimento de 170% do mercado de carros de luxo no país até 2020.

g1


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