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Com ajuda do BNDES, donos da JBS criaram maior empresa de carnes do mundo

Negócio criado por pai de Wesley e Joesley Batista começou em açougue em Anápolis (GO) e se transformou em maior grupo privado do país, que também tem bancos e empresa de celulose.


quinta-feira, 18/maio/2017
Com ajuda do BNDES, donos da JBS criaram maior empresa de carnes do mundo

De empresa familiar criada a partir de um pequeno açougue na cidade de Anápolis (GO), a JBS, donas de marcas como Friboi e Seara, se tornou a maior processadora de carnes do mundo e a maior empresa privada em faturamento no Brasil, só perdendo para a Petrobras.

As revelações dos irmãos Joesley e Wesley Batista em delação premiada trouxe denúncias contra o presidente Michel Temer e criou pânico nos mercados financeiros. Os empresários viram seu negócio se expandir nos últimos anos com o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Os donos da JBS também têm negócios em outros setores, reunidos na holding J&F Investimentos. A J&F Investimentos se anuncia como o “maior grupo econômico privado do país”, empregando mais de 260 mil pessoas em mais de 30 países. A J&F já teve como presidente do conselho o então ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

Os dois irmãos se dividem na operação do grupo. Joesley é o presidente da holding e Wesley comanda o JBS.

Crescimento exponencial

A história da JBS começou em 1953 com o açougue A Mineira, fundado por José Batista Sobrinho (cujas iniciais formam a sigla JBS), pai de Wesley e Joesley Batista, os atuais donos do conglomerado. A empresa adotou o nome Friboi quando passou a atuar com frigoríficos e cresceu comprando outras unidades na década de 90. As primeiras exportações de carne in natura vieram somente em 1997.

O grande salto se deu a partir de 2007, quando a empresa decidiu abrir o seu capital, mudou o nome de Friboi para JBS e deu início a um processo de internacionalização com o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A JBS foi uma das beneficiadas pela chamada política de campeões nacionais do BNDES, que tinha como premissa financiar a internacionalização de grupos brasileiros. Além de financiar o grupo, o BNDES comprou uma participação na JBS por meio da BNDESpar – braço do banco estatal que compra participações em empresas. A operação que é investigada pelo Tribunal de Contas da União. Hoje o BNDES é dono de 21% da JBS.

Capitalizado com crédito e dinheiro dos novos sócios, o JBS foi às compras. Em março de 2007, o grupo anunciava a compra da norte-americana Swift por US$ 1,4 bilhão, se tornando a maior empresa do mundo de alimentos de origem bovina.

Começava a partir daí uma trajetória de rápida expansão internacional, que incluiria a aquisição de outras gigantes como a Pilgrim´s Pride (empresa de frangos nos EUA) e do frigorífico brasileiro Bertin e da Seara, passando a ser também a maior produtora global de carne de aves.

Em 2014, a JBS se tornou a segunda maior empresa do setor de alimentos do mundo, ficando atrás apenas da Nestlé, totalizando um faturamento de cerca de R$ 120 bilhões, com um aumento de 30% nas venda.

Em 2016, a receita líquida da JBS somou R$ 170,38 bilhões, alta de 4,6% ante o registrado no ano anterior, ficando à frente da Vale (R$ 94,6 bi), Ultrapar (R$ 77,3 bi) e Ambev (R$ 45,6 bi), segundo dados da provedora de informações financeiras Economatica.

Negócios além da carne

Com o crescimento acelerado dos negócios, os donos da JBS em 2012 um holding para atuar em outras áreas de negócios, a J&F Investimentos. A última grande aquisição foi anunciada em 2015, ao comprar da Camargo Corrêa o controle da Alpargatas, dona de marcas como Havaianas e Osklen por R$ 2,66 bilhões. Veja os outros negócios da JBS:

  • Vigor (produtos lácteos)
  • Flora (produtos de higiene e limpeza)
  • Eldorado Brasil (celulose)
  • Banco Original (instituição financeira)
  • Âmbar (Energia)
  • Alpargatas (calçados e vestuário)
  • Oklahoma e Floresta Agropecuária (setor de agronegócios)
  • Canal Rural (emissora de televisão)

No mundo dos negócios, os irmãos Batista se cercaram de executivos do alto escalão. Um dos principais trunfos foi a atração de Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central no governo Lula e atual ministro da Fazenda, para o cargo de presidente do conselho consultivo da J&F em 2012 (ele renunciou à função quando voltou ao governo Temer).

Meirelles comandou a transformar o Banco Original, até então uma pequena operação voltada para o crédito rural, em um banco de negócios digital.

Executivos como o egípcio Tarek Farahat, um dos responsáveis pelo salto da Procter & Gamble no Brasil, assumiu o marketing global da JBS em 2015. Outro que entrou para o grupo foi Enéas Pestana, ex-presidente do Pão de Açúcar.

A aproximação dos Batista com o mundo político sempre foi forte. Nas eleições de 2014, o grupo também chamou a atenção ao contribuir com mais de R$ 300 milhões, se tornando uma das maiores doadoras de campanha do país.

Alvo de operações da PF

A partir de 2016, o grupo passou entrar na mira também de operações da Polícia Federal.

Em 2016, o grupo chegou a trocar temporariamente a presidência depois que a Justiça impediu Wesley e Josley Batista de exercer cargos executivos, como consequência da operação Greenfield, que investiga aportes de fundos de pensão na Eldorado, empresa de celulose do grupo.

No último dia 12, a PF deflagrou a Operação Bullish, que investiga fraudes e irregularidades em aportes concedidos pelo BNDES à JBS.

Outro abalo foi a operação Carne Fraca, que derrubou o valor das ações da empresa e obrigou também o adiamento do plano de lançamento de um IPO nos EUA da subsidiária JBS Foods International, inicialmente previsto para o 1° semestre.

Em teleconferência para analistas no último dia 16, Wesley Batista afirmou que ainda vê o segundo semestre como uma janela para a realização do IPO, mas ressaltou que o negócio ocorrerá quando a avaliação da subsidiária pelos investidores não for afetada por assuntos como as operações da PF.

De acordo com Batista, a Carne Fraca teve um impacto relevante não apenas do ponto de vista de volumes processados, mas também de custos (custo maior de abate, comunicação e publicidade) e preços, o que afetou a margem do primeiro trimestre.

A JBS fechou o primeiro trimestre de 2017 com lucro líquido de R$ 422,3 milhões, revertendo resultado negativo de R$ 2,64 bilhões apurado um ano antes.

g1

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