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Estudantes e donas de casa têm maior índice de depressão do que trabalhadores “comuns”

Fato de suas atividades não serem reconhecidas como deveriam é um dos motivos para explicar distúrbio


segunda-feira, 11/julho/2016
Estudantes e donas de casa têm maior índice de depressão do que trabalhadores “comuns”

Dedicar-se a trabalhos domésticos ou ao estudo são ofícios que precisam de mais respeito e, sobretudo, atenção quando o assunto é saúde pública. Pesquisa divulgada recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que, em relação ao mercado de trabalho, estudantes, donas de casa e também os aposentados constituem o grupo com o maior índice de prevalência de quadros depressivos.

De acordo com o quarto volume da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), publicado no fim do mês passado, o conjunto dos chamados “fora da força de trabalho” – que absorve trabalhadores do lar, estudantes e aposentados – representava, em 2013, 10,2% do total de pessoas de 18 anos ou mais que já relataram sofrer de depressão. Para se ter uma ideia, o universo dos que à época disseram ter um trabalho fixo e que ressaltaram diagnóstico médico positivo para o distúrbio foi quatro pontos percentuais mais baixo, ou seja, 6,2%.

As justificativas clínicas que ajudam a dar respaldo aos números mostram que o problema não é irrisório. E pior: tem origens na própria estrutura da sociedade, cuja cultura tende a não reconhecer a importância das atividades praticadas por quem não frequenta o ambiente de trabalho oficialmente estabelecido pelo mercado.

“Se elas fossem reconhecidas, se sentiriam mais úteis à sociedade”, afirma a psicóloga e professora de Psicologia da Universidade Positivo (UP) Marina Pires Alves Machado, referindo-se à classe dos estudantes, donas de casa e aposentados. “O trabalho é central na nossa vida. Quando somos pequenos, todos ficam perguntando o que a gente vai ser quando crescer, que profissão vamos seguir. Parece que até então a gente não é nada. E quando exercemos uma atividade que não é remunerada, é como se isso fosse menos e acaba afetando nossa autoestima, nosso bem-estar”, explica.

E, para os aposentados, o argumento de já ter feito o bastante parece não pesar muito nestas horas. A professora explica que a falta de uma rotina de trabalho pode romper bruscamente o cotidiano de um idoso, que, muitas vezes, não está preparado para viver uma vida mais tranquila. É quando chega a depressão.

“A pessoa sai de casa e fica 30, 40 anos trabalhando. Quando vai se aposentar não parece encontrar meios de como ocupar o tempo dela. Ela já não sabe mais o espaço que ocupa dentro de casa, não se prepara emocionalmente para voltar para essa casa, que geralmente está mais vazia, sem os filhos”, diz a professora, que ressalta a importância, nessas horas, das atividades voltadas para a terceira idade. “Muitas dessas pessoas têm um grupo social que é ligado ao trabalho, o que é mais complicado. Os que tem grupos de amizade fora, conseguem superar isso melhor. Por isso a importância dos programas de melhor idade, que fazem o aposentado ter mais momentos sociais de lazer”.

Pessoas em idade de trabalho que não exercem atividades reconhecidas formalmente pelo mercado apresentam maiores índices de depressão. O percentual leva em conta a prevalência de depressão entre as pessoas de 18 anos ou mais de idade, que foi de 7,6% em 2013.

Gazeta do Povo

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