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Juiz que ironizou CNJ na web se interna em clínica psiquiátrica no DF


quinta-feira, 27/fevereiro/2014
Juiz que ironizou CNJ na web se interna em clínica psiquiátrica no DF

O juiz federal Marcelo Antônio Cesca, que ironizou em fotos postadas em redes sociais a demora do Conselho Nacional de Justiça para analisar a volta dele ao trabalho, informou que se internou na manhã desta quinta-feira (27) em uma clínica psiquiátrica de Brasília. Procuramos a unidade de saúde para obter mais informações sobre o paciente, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.

Em uma postagem na web, ele disse estar bem e pediu que os amigos o visitem. Pouco depois, a namorada dele, Helen Ruth Ribeiro, escreveu que as visitas podem ser feitas em qualquer horário. A instituição fica no Lago Norte. As causas da internação não foram informadas. Até então, o último pronunciamento dele havia sido no dia 22 de fevereiro.

Cesca foi afastado do cargo em novembro de 2011, depois de um surto psicótico. Em maio de 2013, três psiquiatras emitiram laudo dizendo que ele estava apto a trabalhar. O caso não foi analisado ainda. Em nota, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região1 (TRF 1) disse estar “empenhado na rápida solução do processo”. O tribunal se posicionou após ser oficiado pelo Conselho Nacional de Justiça, depois que o caso ganhou repercussão na imprensa.

“Eu agradeço ao Conselho Nacional de Justiça por estar há 2 anos e 3 meses recebendo salário integral sem trabalhar, por ter 106 dias de férias mais 60 dias pra tirar a partir de 23/03/14, e por comemorar e bebemorar tudo isso numa quinta-feira à tarde ao lado de minha amada gata de 19 anos! Longa vida ao CNJ e à Loman [Lei Orgânica da Magistratura Nacional]!”, escreveu na legenda de uma delas.

O juiz é alvo de um processo disciplinar da Associação dos Juízes Federais do Brasil, que estuda a possibilidade de refiliá-lo à entidade novamente. De acordo com a organização, ele se desligou após a abertura de um processo administrativo disciplinar, em dezembro de 2011, que investigava as reiteradas agressões verbais do magistrado contra colegas e familiares deles.

Em postagem feita em uma rede social na madrugada do dia 19, o magistrado criticou a associação e os membros, pedindo a renúncia do presidente e da atual diretoria. “Podem me processar à vontade, capachos dos bandidos de toga”, disse. O presidente da entidade decidiu não comentar o assunto.

De acordo com o TRF 1, a situação do juiz substituto é regular e o caso corre em segredo de justiça. “A tramitação do feito, contudo, vem observando os requisitos e ritos processuais próprios, de modo a assegurar a eficácia do preceito constitucional da ampla defesa e do contraditório”, disse o órgão em nota.

“No momento, o processo encontra-se com vista à Curadora Especial do magistrado, para oferecimento de alegações finais. O Tribunal Regional Federal da 1ª Região está empenhado na rápida solução do processo, mas, sobretudo, que essa solução seja justa e juridicamente válida”, completou.

Cesca, que atuava na 2ª Vara Federal e recebe salário de R$ 22 mil, se diz indignado com a situação. “Isso é um absurdo e me afeta por vários motivos. Primeiro, não posso legalmente exercer outra profissão. Segundo, sem trabalhar, minha saúde piora, porque afeta minha autoestima. Terceiro, não posso me promover na carreira. Quarto, falta juiz, sobram processos e eu aqui olhando para o teto”, disse.

O juiz tem 33 anos e afirma se considerar muito novo para estar parado e afirma que quer voltar a trabalhar. “É tudo o que eu quero.” Ele foi nomeado para o cargo em maio de 2006, no Paraná.

g1


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