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Protestos contra a Copa ganham as ruas


terça-feira, 28/janeiro/2014
Protestos contra a Copa ganham as ruas

Os primeiros protestos contra a realização da Copa do Mundo no Brasil começaram violentos em 2014. Em algumas capitais que sediarão jogos do mundial, foram registrados casos de depredação e violência. Em São Paulo, um jovem foi baleado por policiais militares no fim de semana, após ter tentado atingir um agente com um canivete, e 128 manifestantes foram detidos. Em Curitiba, a caminhada da Boca Maldita até o Centro Cívico, no sábado, foi pacífica, mas alguns dos manifestantes atiraram pedras contra a prefeitura e quebraram uma vidraça. Não houve confronto com os policiais, mas duas pessoas foram detidas e indiciadas.

 

O “Não vai ter Copa” parece ser um movimento que dá continuidade ao “Não é só Por R$ 0,20”, cujos atos marcaram o país a partir de junho do ano passado. Da mesma forma, a presença de mascarados, os “black blocs”, tende a aumentar. Grande parte desses protestos é marcado pelas redes sociais, e a reação de governo e polícia a eles não indica grandes mudanças.

Na avaliação do professor do curso de Direito da UFPR e defensor público André Giamberardino, a fama de “acomodado” do brasileiro, que muitos acreditam que só mudou em junho, é injusta. “Desde a década de 1970, uma grande massa de pessoas luta por direitos básicos nas periferias. A participação ativa das periferias somada à consciência adquirida pela classe média é positiva”, analisa.

 

Essa junção de forças – de diferentes reivindicações, mas que são válidas – esbarra no que Giamberardino considera um problema: a cultura da militarização da segurança pública. “A militarização de um serviço público, que é prestar segurança ao cidadão, não é compatível com uma lógica de proteção”, pondera.

 

Por outro lado, a adesão de “black blocs”, que muitas vezes portam coquetéis molotov e objetos para quebrar vidraças, também é vista com preocupação por especialistas. Para o coronel da reserva da PM de São Paulo e consultor em segurança pública, José Vicente da Silva Filho, a disposição agressiva e criminosa desse grupo é bastante significativa. Para evitá-los, ele sugere que os manifestantes pacíficos se afastem desses grupos, para que a polícia possa identificá-los com mais rapidez.

 

Jovem baleado

 

O estoquista Fabrício Proteus Chaves, de 22 anos, levou tiros de policiais durante uma abordagem na região central de São Paulo no último sábado. Chaves foi baleado no peito e nas genitais e está internado em estado grave. Segundo o comandante-geral da Polícia Militar de São Paulo, Coronel Benedito Roberto Meira, os disparos da polícia foram em legítima defesa.

Gazeta do Povo


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