Superinformado Notícias
Facebook
Twitter
Instagram

Maya Gabeira surfa primeira onda de tow-in desde acidente em Nazaré


terça-feira, 21/janeiro/2014
Maya Gabeira surfa primeira onda de tow-in desde acidente em Nazaré

 A repórter Renata Ceribelli foi ao Havaí acompanhar a volta de Maya Gabeira ao surfe.  Foram dois dias de expectativa e de muita aventura no mar havaiano. E nem podia ser diferente. Afinal, estávamos com a carioca conhecida como a melhor surfista de ondas gigantes do mundo.

 

É a primeira vez que Maya volta a fazer o tow-in, técnica em que o surfista é rebocado até a onda grande por uma moto aquática, desde o acidente que sofreu em 2013, em Portugal.

Uma imagem chocante que correu o mundo. A surfista brasileira pegava uma onda de 20 metros de altura, do tamanho de um prédio de 6 andares. Caiu, foi engolida pelas ondas e perdeu os sentidos.

 

“Muita confusão, muito barulho, assim um processo que meu corpo ia desligar, a máquina estava desligando”, lembra a surfista.

 

O resgate foi dramático. Carlos Burle, o brasileiro campeão mundial de surfe em ondas gigantes, que pilotava a moto aquática, se jogou na água e levou Maya até a praia. Ele conseguiu, com uma massagem, ressuscitá-la.

 

“Quando eu abri o olho eu pensei: nunca mais quero passar por isso na minha vida”, lembra Maya.

 

Mas ela mudou de ideia rapidinho. “Sei que quando eu cheguei na ambulância eu já estava perguntando da foto, se o vento tinha entrado. Mas aí eu já estava respirando. Eu queria ver o que eu tinha surfado. Passei minha vida inteira treinando para surfar. E, de repente, estou na UTI, eu queria pelo menos ver o que aconteceu 15 minutos atrás. Já cansei de chorar. Agora eu quero me preparar para sair em busca da próxima onda gigante”, diz Maya.

 

A preparação para isso está intensa: fisioterapia – Maya fraturou o tornozelo no acidente – corrida, exercícios pesados. Tudo isso com o apoio fundamental do seu mestre Carlos Burle.

 

“Eu acho que a Maya está superbem. Ainda não está preparada para pegar outra onda gigante. Acho que ela tem que ir aos poucos. Ela já começou a treinar forte e já está mais confiante, surfando ondas pequenininhas e ela está querendo pegar ondas um pouco maiores, de quatro, cinco metros”, explica Burle.

 

Ceribelli: O que te preocupa mais na Maya, o preparo físico ou emocional?

Burle: O preparo emocional com certeza. O físico não me preocupa nada.  Ela é muito capaz fisicamente, ela treina muito. O psicológico é ela acreditar nela.

 

Ceribelli: Você está com medo?

Maya: Eu tenho medo para caramba de morrer afogada, quem não tem? E eu me exponho a isso mais do que as pessoas comuns, porque a minha profissão é surfar ondas gigantes, e esse perigo existe.

 

Mas nada, nada mesmo, faz Maya deixar de se expor a esse risco. Nem um problema respiratório que ela enfrenta desde criança.

 

Ceribelli: Você tem asma e pratica esse esporte? Como assim?

Maya: Eu cresci tendo que superar essa sensação de falta de ar, sempre foi uma coisa que esteve presente na minha vida.

Ceribelli: Nos momentos em que você está asmática, você pode surfar?

Maya: Nos momentos que estou asmática, não posso, seria uma loucura. Eu já fiz essa loucura, mas prometi para mim mesma que não faria de novo. Muitas vezes, eu e o Burle brigamos porque eu esqueci a bombinha, tomei caldo e não pude mais surfar naquele dia. E ele fica dizendo para mim: ‘como você vem surfar sem bombinha?’.

 

E se você está achando essa menina muito corajosa, cascuda mesmo, sabe quantas vezes ela quebrou o nariz? Nem ela sabe. “Às vezes eu falo oito. Aí lembro que foram dez, onze. Mas, na última vez que quebrei, tive que reconstruir, fiz uma cirurgia. Foi a mais complexa e nunca mais quebrou”, ela diz.

 

Ceribelli: Você sabe que essas coisas impressionam em uma menina de 26 anos: passando por tudo isso, rindo da dor.

Maya: Eu acho que cada um tem a vida que escolhe. Eu escolhi isso para mim e eu acho que são coisas que eu tenho que viver e superar. E eu aprendo muito.

 

Ceribelli: Qual o prazer de surfar uma onda gigante?

Burle: É muito gostoso enfrentar uma onda gigante, do tamanho de um coqueiro desses, e você segurar sua adrenalina, seu medo, sua ansiedade. Imagina você lá em cima, olha para baixo, dá aquele frio na barriga. Aí você fala: ‘eu posso descer isso aqui com minha prancha, com a onda em movimento’, numa velocidade incrível de 70, 80 km/h.

 

Ceribelli: Como você recebeu a reação das pessoas, principalmente no Brasil, onde conhecia pouco esse esporte, te chamando de maluca, louca, você ouviu muito isso?

Maya: Foi engraçado. Na faixa dos 35 aos 50, eu ouvi: ‘você vai surfar de novo? tem certeza?’. As pessoas acima de 60 falavam para mim: ‘filha, boa sorte’. Eles não questionavam eu parar ou não parar.

Rapidinho, Maya consulta o serviço de previsão de ondas.

Maya: As ondas grandes chegarão entre o final de tarde de hoje e amanhã de manhã deve estar enorme.

Ceribelli: Você vai se testar?

Maya: Vamos dar o primeiro passo a superação.

MAYA GABEIRA VOLTA A SURFAR ONDAS GRANDES

O mar estava furioso e a nossa equipe, apavorada. Para os caçadores de ondas gigantes, quando o medo aparece, o melhor é enfrentá-lo. Por isso, o Edson, piloto da moto aquática onde a repórter estava, perguntou: ‘Vamos pegar, Renata?’.

 

Não deu nem tempo de responder. A repórter desceu a onda na garupa da moto em uma onda que tinha lá seus quatro metros.

 

Mas a emoção maior ainda estava por vir. Mesmo o mar não estando nas condições ideais, Maya coloca o pé machucado na prancha, e consegue pegar sua primeira onda de tow-in depois do acidente em Portugal. Só deu para pegar uma. O mar avisava que era hora de parar. Mas, às 6h da manhã do dia seguinte, já estávamos todos juntos de novo. E Maya, animadíssima.

 

Ceribelli: Como é que foi a onda ontem? A primeira vez que você colocou o pé neste tipo de prancha?

Maya: Foi ótimo! Têm certas coisas que a gente nunca esquece.

Ceribelli: Mas, nas imagens, parece que você estava um pouco tensa. Doeu?

Maya: Dói um pouco, principalmente na subida, e toda vez que a prancha vai quicar muito e eu vou absorver o impacto, eu sinto que o meu corpo quer proteger a área. O mais importante é a noite e o dia seguinte.

Ceribelli: Você passou bem a noite?

Maya: Passei bem a noite. Dormi e acordei bem. Inchou bem pouco, botei gelo. Hoje de manhã já estava bem tranquilo, enfaixamos de novo e acho que está bom para um próximo surfe.

Ceribelli: Hoje você está querendo encontrar uma onda de que tamanho, Maya?

Maya: Espero que esteja uns seis metros lá fora, oito metros está ótimo para minha volta.

 

A Maya fica aguardando uma série de ondas em um local que ela sabe que a onda vai ter mais velocidade para ela entrar e pegar. E, recuperada, surfa uma onda grande. Cai. Mas não é nada grave. Ela surfa mais uma e outra. Não para.

 

Quando ela para: “Perdi a bota que fica para proteger meus ligamentos e nem percebi. Estava muito focada! Estou me divertindo muito, não deu nem para perceber”, brinca.

Mas quando tenta levantar para mais uma onda, Maya sente dor.

Para Burle, Maya voltou muito bem : “Ela já evoluiu, voltou com mais garra, com mais força, surfando de uma maneira diferente. Agora ela sabe que caiu naquela onda grande por não ter usado bem a perna da frente, que é a perna que fraturou. E agora ela vai ter que usar melhor essa perna e esse equilíbrio no corpo para poder dominar melhor as ondas grandes”, ele explica.

 

“Eu estou muito feliz de, depois de dois meses de muleta, estar de volta fazendo o que eu gosto. E estar na ativa. Acho que estou em 80%. Acho que tem 20% aí de fortalecimento muscular mesmo, treino e tempo dentro d’água”, diz a surfista.

 

Ceribelli: Na hora que ela caiu, na primeira onda, você se assustou?

Burle: Eu me assustei, eu não queria que ela caísse hoje, logo no primeiro dia.

Ceribelli: Voltou aquela sensação do acidente de Portugal?

Burle: Aquele flashback do acidente de Portugal com certeza. Eu me emociono quando eu falo disso, porque é verdade mesmo. Quando eu a vi em Nazaré, desarcodada, e hoje a gente está treinando de novo, não tem preço isso. A vida é muito especial. É fantástico!

G1


Compartilhar
Compartilhe no Facebook
Compartilhe no Twitter
Compartilhe no Google Plus

Leia Também
Djokovic sofre com dores, luta até o fim, mas cai diante de sul-coreano na Austrália

Big rider português surfa bomba e pode quebrar recorde de McNamara em Nazaré

Corinthians acerta retorno de Emerson Sheik, herói do título da Libertadores

Inscrições para a 5ª Pesca Internacional ao Tucunaré estão abertas


Ex-top sofre acidente no Havaí, desmaia, tem convulsão e é salvo por brasileiro

Ex-top sofre acidente no Havaí, desmaia, tem convulsão e é salvo por brasileiro


John John Florence conta com tropeço de Medina e fatura o bi mundial no Havaí

John John Florence conta com tropeço de Medina e fatura o bi mundial no Havaí


Competição desafia guarapuavanos nas escadarias da Capela do Degolado

Competição desafia guarapuavanos nas escadarias da Capela do Degolado


Inscrições para o Desafio do Degolado terminam nesta quinta (14)

Inscrições para o Desafio do Degolado terminam nesta quinta (14)