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‘Siga o dinheiro e você descobrirá quem é o chefe do crime’, diz Moro


terça-feira, 03/março/2015
‘Siga o dinheiro e você descobrirá quem é o chefe do crime’, diz Moro

O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato na primeira instância, participou da aula inaugural na Escola de Magistratura do Paraná na tarde de segunda-feira (2), em Curitiba. Durante uma hora de discurso, Moro não comentou em momento algum a operação que investiga casos de corrupção na Petrobras, mas falou sobre lavagem de dinheiro e corrupção para os estudantes que pretendem seguir a carreira de juiz.

“Eu fico um pouco mais confortável porque essa é uma palestra que não é para ser uma palestra técnica, é uma palestra sobre a carreira jurídica. Então, isso gera um discurso mais pessoal e um compartilhamento de experiências”, disse o juiz

“A criminalização da lavagem de dinheiro facilita a investigação e a responsabilização criminal daqueles que, no âmbito da atividade criminal, exercem funções de comando ou de mando. O velho conselho norteamericano: siga o dinheiro, e você descobre quem é o chefe e o responsável pelo crime”, acrescentou Moro.

Ele explicou ainda sobre dois tipos de “profissionais” que praticam o crime de lavagem de dinheiro.

“Tem um que pratica o crime antecedente, por exemplo, o tráfico de drogas, e tem o outro que pratica apenas o crime de lavagem de dinheiro”. Segundo Moro, normalmente, quanto mais sofisticada a atividade criminosa, maior a distinção dos papéis citados acima.

“Ou seja, você não lava o seu dinheiro, você recorre a um profissional da lavagem de dinheiro”. O juiz federal explicou que ação pode ser usada como estratégia de cautela para prevenir uma eventual responsabilização no futuro.

O emprego de recursos criminosos no domínio econômico gera vantagens competitivas para empresas criminosas que devem, de alguma forma, serem compensadas com a criminalização da lavagem de dinheiro, ressaltou Moro.

“É importante que o criminoso seja obrigado a ficar sentado sobre o seu dinheiro sujo. Que esse dinheiro sujo não possa ser utilizado para qualquer finalidade, especialmente, e também, no domínio econômico”.

Durante a palestra, Moro também fez um paralelo entre o crime de lavagem de dinheiro e o meio político.

“Dentro de um regime democrático, um político ou um agente político muitas vezes tem que ganhar apoio popular para as suas ideias. E como normalmente, não necessariamente, mas, em uma democracia de massas se faz necessário grandes recursos para transmitir essas ideias. Também um político desonesto, dentro do âmbito político, tem vantagens que um político honesto normalmente não tem. O que ele pode se valer é de recursos de origem criminosa que o político honesto não pode se valer”, finalizou o juiz.

Carreira
Formado pela Universidade Estadual de Maringá em 1995, Moro fez concurso e tornou-se juiz federal um ano depois. Em 1998, cursou programa para instrução de advogados na escola de direito da Universidade de Harvard, considerada a melhor do mundo.

Mestre e doutor pela Universidade Federal do Paraná – com tese de 2002 sobre o papel de tribunais constitucionais, como o Supremo Tribunal Federal, no regime democrático – foi convidado em 2007 pelo Departamento de Estado americano para visitar agências de combate à lavagem de dinheiro nos Estados Unidos. Atualmente dá aulas de processo penal na UFPR.

g1


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