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USP cria gel que promete acabar com feridas de Herpes

Herpes tipo 1 costuma aparecer na região dos lábios, mas também pode afetar outras áreas da face


sexta-feira, 05/janeiro/2018
USP cria gel que promete acabar com feridas de Herpes

Um período de grande estresse somado à sensação de uma leve ardência perto dos lábios provavelmente traz uma palavra à boca: herpes. Um pesquisador da USP de Ribeirão Preto afirma que desenvolveu uma nova forma de secar rapidamente, em um único dia, o problema incômodo e comum.

A herpes tipo 1 –aquela que costuma aparecer na boca, mas que também pode se manifestar em outras áreas da face, no tronco ou até mesmo nos órgãos genitais– é causada pelo vírus herpes simplex (Herpesvírus hominus) e não tem cura.

Dificilmente, esse tipo de herpes provoca maiores complicações, mas o impacto social causado pelas feridas na boca, decorrente de certo preconceito, não pode ser ignorado.

E foi exatamente por uma “quase urgência estética” que Vinícius Pedrazzi, professor de odontologia da USP, acabou descobrindo acidentalmente uma formulação para “secar”, em um dia, as feridas provocadas pelo vírus.

“Estava atendendo uma paciente muito vaidosa. No dia em que eu ia entregar a prótese, ela apareceu com lesões grandes na boca, e, como era perto do natal, ela insistiu para sair logo com a prótese”, conta Pedrazzi, que diz não ser costumeiro, por segurança, atender pacientes que estejam com feridas herpéticas.

Como, durante o procedimento ortodôntico, a paciente estava sentindo dores por conta das feridas, o dentista e professor da USP aplicou um anestésico em volta das áreas com lesões. “Isso foi de manhã. À tarde ela ligou e falou que as feridas tinha sumido”, recorda Pedrazzi.

Com a curiosidade atiçada, uma pesquisa foi iniciada. O resultado foi, a partir do anestésico usado inicialmente, o desenvolvimento de um tipo de gel que, se aplicado três vezes, de oito em oito horas, praticamente some com as lesões de herpes da boca.

Após a aplicação –que cobre a lesão e deve ter alguma margem de segurança em volta da região do ferimento–, forma-se uma película incolor, que deve ser deixada no local por duas horas.

Atualmente, uma pesquisa (com apoio da Fapesp e do CNPq) sobre o creme é conduzida com 115 pacientes, alguns deles sendo acompanhados há mais de um ano.

Pedrazzi diz que em menos de 20% dos pacientes não há sucesso total –sumir todas as lesões e não haver recidiva– da aplicação, mas que mesmo nesses casos há melhora no quadro clínico.

NA BOCA DOS OUTROS

“Não há nenhum medicamento ainda que faça essa maravilha”, afirma Ana Carolina Cherobin, médica da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

As lesões de herpes, em média, duram sete dias. Os medicamentos existentes até o momento (orais ou em creme) conseguem diminuir a duração das lesões para entre três e quatro dias, caso sejam usados na primeira fase da manifestação –dividida em formigamento, ardor; bolhas; e casquinhas.

Já com as lesões instaladas, contudo, os medicamentos normalmente não conseguem diminuir o tempo de manifestação.

A dermatologista afirma que, caso o novo medicamento realmente consiga reduzir esse tempo, além de conforto e estética para quem tem o problema, isso pode diminuir as chances de transmissão para outras pessoas.

Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 3,7 bilhões de pessoas com menos de 50 anos estão infectadas com herpes tipo 1, o que representa aproximadamente 67% da população mundial com o micro-organismo “escondido” quietinho –pelo menos na maior parte do tempo– nos gânglios do corpo.

“Estamos ainda buscando alguma explicação para o produto, mas provavelmente bloqueamos a ação viral por um processo de envelopamento. O vírus não consegue se replicar, e, como forma de defesa, ele se inativa”, diz Pedrazzi.

A notícia do novo creme já se espalhou no boca a boca e várias pessoas estão tentando conseguir a aplicação. “Está estourando”, diz o dentista, sobre os vários pedidos por mais informações do remédio.

“Não queremos apressar nada para não colocar pacientes em risco”, afirma Pedrazzi, que agora tenta patentear a droga –para a qual já há uma empresa interessada– antes de pensar em publicar o achado em revistas científicas.


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