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‘Foi loucura acharem que teria estrutura’, diz DJ brasileiro sobre festival ‘VIP’ que virou pesadelo no Caribe

Beto Abrahão tocaria no Fyre Festival, que prometeu luxo e recebeu fãs ricos com tendas furadas e caos. DJ de eventos para milionários, ele conta como deu a volta por cima em festa ainda mais VIP.


quarta-feira, 24/maio/2017
‘Foi loucura acharem que teria estrutura’, diz DJ brasileiro sobre festival ‘VIP’ que virou pesadelo no Caribe

Beto Abrahão, 29 anos, é um DJ brasileiro que navega por festas VIP. Ele viu de perto a promessa de paraíso virar desatre no Fyre Festival. O evento prometeu música e luxo no Caribe no fim de abril, mas foi cancelado com estrutura precária, e agora é alvo de processos nos EUA. Beto estava escalado para o Fyre. Chegou a conhecer o local, e quase chorou com o cancelamento.

Mas, para ele, a história teve fim inesperado: foi do show VIP desmarcado a outro mais VIP ainda, que rendeu bons frutos na carreira. Ele não deixa de lamentar e avaliar o que deu errado, em sua opinião, no Fyre Festival.

Beto Abrahão conhece este tipo de evento. Em 2014, virou residente em Ibiza, na Espanha, meca de boates luxuosas. Dali, fez contatos para seguir a carreira tocando em festas fechadas na Europa, Dubai, Catar, Egito… Nos EUA, conheceu um produtor que o convidou para o Fyre Festival.

Blink 182, Major Lazer e Disclosure também estavam na programação do festival nas Bahamas. Os ingressos custavam entre US$ 1 mil a 12 mil (de R$ 3,4 mil a R$ 39 mil). Mas os fãs encontraram uma estrutura diferente da prometida. Os organizadores agora são alvo de processos e de uma investigação do FBI, acusados de fraude.

Quem é o DJ Beto Abrahão?

O paulistano de 29 anos se formou em Direito na Fundação Getúlio Vargas em 2012, mas resolveu ser DJ. Dois anos depois, passou em um teste no famoso grupo de clubes Pacha, em Ibiza. “Tive minha residência lá por 2 anos. Fiz muitos contatos, com pedidos para eventos privados para toda a Europa. Em 2016, eram tantos ‘requests’ que terminei a residência. No ano passado, fiz 58 eventos.”

“São festas pequenas para público exclusivo, tanto que eu não posso nem postar fotos. Tem gente famosa, multilionário, festa em iate. Oitenta porcento por indicação. Acabou crescendo de uma maneira orgânica.” Ouça remixes do DJ, que junta house a pop e rock. Em um casamento em Ibiza, conheceu o irmão do noivo: um produtor da empresa que faria o Fyre Festival. Daí veio o convite…

Chegada ao paraíso

“Da minha parte, não tenho reclamação. Recebi antecipado, pagaram minha passagem, fizeram tudo. Viajei de Londres para Nassau (capital das Bahamas) e fiquei na casa de um amigo meu, então não dependia do hotel deles e não vi como estava lá. Cheguei na quinta, tudo ótimo, tinha um cara no aeroporto, falei com os produtores por WhatsApp. Depois eu iria para o local do festival.”

“Eu me preparei por meses para esta ‘gig'”, conta. Ele faria não só um set próprio como tocaria entre um show e outro. Ficaria nos dois finais de semana do festival.

Já sabemos que o show, infelizmente, não rolou. Mas Beto chegou a ir para lá. “Meu amigo tinha alugado um iate para ir no segundo fim de semana. E aí a gente foi ver a ilha. O lugar é simplesmente deslumbrante, o mais maravilhoso que já vi na minha vida. E eu já viajei o mundo, fui às Maldivas etc. Era um sonho, água linda, areia branca.” Mas palco que é bom, nada…

Caos ao acordar

“Minha namorada estava indo de Londres na quinta de noite e me mandou mensagem depois que viu na internet gente contando que o festival não tinha nada. Faltava comida, água. Mas eu respondi: ‘Acabei de falar com eles, tá tudo certo, não me falaram nada’.”

“Acordei na sexta de manhã, e meus amigos falaram: ‘Má notícia: o festival foi cancelado’. O governo fechou a ilha e ninguém podia pousar, só aviões que iriam tirar as pessoas de lá”, conta. “Abri meu e-mail, tinha uma mensagem da agência falando que meu voo foi cancelado, o hotel também. Teve que cancelar tudo, a pedido dos organizadores. “

Depois que fez a visita ao local com o amigo que tinha alugado o barco. Já sabendo do cancelamento, Beto conseguiu refletir e avaliar melhor o que aconteceu:

“Era um lugar lindo, só que não tinha infraestrutura. Demanda água potável, energia elétrica, montar tenda. Pelo que eu vi, achei uma loucura esperar que um lugar daquele teria estrutura para receber oito mil pessoas.

“As casas lá têm que ter gerador, reservatório… Tem que construir tudo do zero, porque é muito isolado. Não tem voo comercial, só privado. Era um conceito interessante, exclusivo. Mas acho que teve inexperiência. Não acho que foi má intenção, que quiseram lesar, que foi golpe. Não. Só não tiveram coragem de cancelar antes. Tinham expectativa de terminar a infraestrutura e não terminaram, e chegou lá e virou um caos”, opina.

Do caos classe A à salvação classe AAA

A história terminou para artistas que cancelaram shows e para fãs que voltaram de bolsos vazios e mãos abanando. Mas não para Beto e um grupo de bolsos maiores. “Tem uma comunidade fechada lá chamada Albany [a revista ‘Forbes’ chama de ‘o resort mais exclusivo das Bahamas’] Público super ‘triple A’. Entraram em contato para ‘bookar’ uma ‘pool party’ no domingo. Acertei e fui”.

“Acabou indo muita gente que ia para o festival. A maioria das pessoas lá ia ficar em tendas, e teve que ir embora. Mas o público mais top foi com seu próprio iate. E aí, imagina: tanta gente ‘bookando’ iate e o festival não aconteceu. Todo mundo foi para essa marina. A festa não foi grande, umas 100 pessoas. Mas foi um nível super alto. Gente dos EUA, Europa, Dubai.”

Quando tocou seu remix de “Gimmie shelter”, Beto foi abordado por um homem. Ele elogiou o DJ e contou: estava prestes a fazer 60 anos e estava tentando contratar os Rolling Stones para tocar na festa.

“O pessoal de Albany já está me ‘bookando’ para tocar lá no Réveillon. Também tenho duas festas em Tel Aviv com pessoas que conheci lá. No dia fiquei chateado, quase chorei pelo festival, queria tocar para as pessoas lá. Mas, por este lado, para mim foi excelente, vou ser sincero. Para mim, os melhores eventos são estes pequenos”, conclui Beto.

g1


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