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Max Schmeling foi a glória da Alemanha nazista ao ganhar o cinturão mundial de boxe. Na moita, ele ajudava judeus a fugir do extermínio.


segunda-feira, 30/junho/2014
Max Schmeling foi a glória da Alemanha nazista ao ganhar o cinturão mundial de boxe. Na moita, ele ajudava judeus a fugir do extermínio.

Kristallnacht, a terrível “Noite dos Cristais” de 8 de novembro de 1938. Tropas nazistas massacravam milhares de judeus por toda a Alemanha. Nas ruas de Berlim, reinava o terror. Num quarto do Hotel Excelsior, o boxeador Max Schmeling estava apreensivo. Alguém bateu na porta. Era o amigo David Lewin.

– Onde estão os garotos? – perguntou Max.

– Estão aqui – respondeu David, um próspero comerciante judeu. De trás dele, agarrados ao sobretudo negro, surgiram então os rostos assustados de seus dois filhos: Werner e Henri.

– Eu tomo conta deles – disse Max.

O pugilista escondeu os meninos e conseguiu que eles fugissem – Werner e Henri terminariam fixando residência nos EUA. Esse foi apenas um dos gestos humanitários de Max.

Por ironia, Max Schmeling era um ídolo na Alemanha do 3º Reich. Foi campeão mundial dos pesos pesados em 1930 e 1931. Em 1936, com Adolf Hitler já no poder, derrotou o até então invencível americano Joe Louis. A alegria de Hitler durou pouco: o lutador se recusou a entrar para o Partido Nazista. Também negou-se a demitir o seu agente americano, Joe Jacobs, de origem judaica.

Em junho de 1938, Max perdeu a luta de revanche para Joe Louis, transmitida pelo rádio a toda Europa e EUA direto do Yankee Stadium, em Nova York. O americano deslocou uma vértebra de Schmeling e lesionou um dos seus rins. Hitler, furioso, mandou interromper a transmissão em território alemão. No fim daquele ano, os espiões da SS descobriram a ajuda do pugilista aos garotos judeus. Foi a gota d’água. Quando a guerra começou,s em 1939, Hitler enviou Max como pára-quedista em missões suicidas. O boxeador, porém, sobreviveu uma missão após outra.

Quando Hitler beijou a lona, com o fim da 2ª Guerra, outra luta começou para o campeão. Modesto, nunca disse a ninguém ter ajudado os filhos de Lewin e carregou o estigma de ser um queridinho do führer. Em 1989, porém, Henri Lewin, que se tornara empresário do ramo hoteleiro em Las Vegas, convidou Max à cidade e revelou a uma platéia comovida: “Se não fosse por ele, eu e meu irmão estaríamos mortos”. A vitória final de Max Schmeling veio com um tapa de luvas de pelica.

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