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MP denuncia por estupro e homicídio homem que matou feminista em SP

Willy Liger está preso desde 23 de dezembro na Bahia. Ele usou taco de beisebol para matar militante que o acusava de estupro. Caso é enquadrado como feminicídio.


quinta-feira, 02/março/2017
MP denuncia por estupro e homicídio homem que matou feminista em SP

O ministério Público (MP) de São Paulo denunciou nesta semana, pelos crimes de estupro e homicídio, tendo o feminicídio como agravante, o gerente de um bar acusado de matar uma militante feminista com um taco de beisebol. Cabe à Justiça decidir se aceita a acusação.

O crime ocorreu no dia 14 de dezembro de 2016 na Mooca, Zona Leste da capital. O agressor foi preso nove dias depois na Bahia. Willy Gorayeb Liger, de 27 anos, foi acusado de assassinar Debora Soriano de Melo, de 23 anos, para que ela não o denunciasse por estupro. Segundo o promotor Felipe Eduardo Levit Zilberman, a vítima não queria ter relações sexuais com o agressor.

Além de estupro, Liger responde por homicídio doloso com quatro qualificadoras: a que matou para assegurar a impunidade do crime sexual, o feminicídio, o meio cruel e o recurso que dificultou a defesa da vítima. O feminicídio é uma qualificadora do crime de homicídio. “Ele ocorre quando é cometido contra uma mulher em menosprezo e com discriminação à condição feminina”, explicou Zilberman nesta quinta-feira (2).

Não conseguimos localizar a defesa de Liger para comentar o assunto. Segundo a Promotoria, o acusado alega que não se lembra direito do crime, que se recorda de ter usado cocaína com Debora, de que eles discutiram e de que ele a golpeou com um taco de beisebol na cabeça.

“Sobre o estupro, ele disse não se lembrar de ter cometido”, afirmou o promotor do caso.

Com a denúncia oferecida, caberá a Justiça decidir se aceita a acusação contra Liger. A juíza que analisará o pedido é Marcela Raia de Santana, da 1ª Vara do Júri, no Fórum Criminal de Santana. Caso concorde com o MP, o gerente se tornará réu no processo e poderá ser levado a julgamento popular. A Promotoria também solicitou a manutenção da prisão preventiva dele. Se vir a ser condenado, a pena para os crimes pode ultrapassar 30 anos de prisão.

Zilberman ainda aguarda o resultado do laudo toxicológico para saber se agressor e vítima consumiram cocaína. De qualquer maneira, o promotor disse estar convencido de que o acusado é reincidente em crimes contra mulheres. Segundo Zilberman, Liger já era procurado da Justiça quando matou Débora.

“Em 20 de julho de 2009, ele estuprou e roubou uma outra mulher e foi condenado a 11 anos de prisão. Como respondia aos crimes em liberdade, foi expedido um mandado de prisão preventiva, mas ele nunca mais foi localizado”, disse o promotor.

De acordo com o MP, mesmo foragido, Liger cometeu outro crime. “Ele havia ameaçado a mãe do filho dele em 2015. Tanto é que a mulher entrou com medidas protetivas baseadas na Lei Maria da Penha, mas ele não era encontrado para ser ouvido”.

O último crime cometido por Liger ocorreu no final do ano passado, quando ficou sozinho com Débora no bar onde trabalhava como gerente. “Tudo isso mostra bem a personalidade dele de ódio ao gênero feminino”, falou Zilberman.

Após matar Débora, Liger fugiu para Ubaitaba, no sul da Bahia, onde foi preso em 23 de dezembro, após a Justiça decretar a prisão dele. Ele estava escondido na casa de familiares.

De acordo com a polícia baiana, ele confessou o assassinato de Débora. Alegou que a matou após os dois discutirem porque ela reclamou que a droga que usavam havia acabado e queria mais.

g1


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